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Açaí Amazônico vai à China.

  • Lantau
  • 3 de jun.
  • 3 min de leitura
Porto de Santana. Fonte: Companhia Docas de Santana- Amapá
Porto de Santana. Fonte: Companhia Docas de Santana- Amapá

O estado do Amapá entrou em destaque no mercado internacional após a cooperativa Amazonbai firmar um acordo histórico com a China para a venda de 15 mil toneladas de açaí até 2031. A negociação ocorreu durante a Sial China - em Xangai - maior feira de alimentos da Ásia que ocorreu entre os dias 18 a 29 de maio deste ano.

A Amazonbai faz parte da Rota do Açaí, pertencente à Rotas de Integração Nacional, estratégia do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) que tem por objetivo o fortalecimento de sistemas produtivos locais e a promoção do desenvolvimento regional sustentável.

  Além da cooperativa Amazonbai sete outras cooperativas União Nacional das Cooperativas de Agricultura Familiar e Economia Solidária (Unicafes Brasil); Unicafes Bahia; IPE Unicafes; Cooperativa Grande Sertão, Cooperativa Agropecuária Familiar de Canudos, Uauá e Curaçá (COOPERCUC) e a Cooperativa Agropecuária Regional de Palmeira dos Índios (Carpil)– todas inseridas na Rotas da Integração Nacional – estiveram na Sial China que contou com investimento de R$ 207 mil do MIDR. A presença das cooperativas no evento, proporcionou a apresentação de produtos sustentáveis brasileiros ao público asiático.O contrato representa um avanço importante para a exportação do fruto amazônico e reforça o crescimento do açaí no mercado internacional, principalmente na Ásia, onde a procura pelo produto brasileiro vem aumentando nos últimos anos.

O acordo também abre precedente para que empresas paraenses ampliem negócios internacionais e fortaleçam a presença do açaí amazônico no exterior. Produtores avaliam que a expansão pode gerar emprego, renda e valorização da cadeia produtiva da floresta. Especialistas, porém, alertam para a necessidade de equilíbrio entre exportação e consumo regional, para evitar que o crescimento internacional afete diretamente a população, para quem o fruto é parte essencial da alimentação e da cultura. Em estados como Pará e Amapá, o açaí faz parte da alimentação diária da população.


Fruto do  açai.   Fonte: Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional.
Fruto do açai. Fonte: Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional.

A Amazonbai é uma cooperativa de produtores extrativistas de açaí do Amapá. Possui certificação FSC® (manejo florestal responsável).

Segundo a cooperativa, um dos desafios para a exportação do açaí está na logística da operação como um todo.

O açaí é um fruto altamente perecível — começa a se deteriorar poucas horas após a colheita e exige processamento rápido - congelamento, polpa ou liofilização (pó). Necessita de refrigeração contínua durante todo o trajeto, da floresta até o porto, durante a viagem marítima e na chegada à China.

A longa distância entre o Amapá e a China (mais de 15 mil km) aumenta custos e riscos de qualidade. Embora exista uma nova rota direta entre o Porto de Santana (AP) e portos chineses (como Zhuhai/Gaolan), que reduz o tempo em até 14 dias, a operação ainda está em fase de maturação.

O Porto de Santana teve como finalidade original atender à movimentação de mercadorias por via fluvial, transportadas para o Estado do Amapá e para a Ilha de Marajó. Porém, sua posição geográfica privilegiada, tornou-se uma das principais rotas marítimas de navegação entre Brasil e China. Localizado na margem esquerda do Rio Amazonas, no canal de Santana, o Porto vem se consolidando como uma das portas de saída mais importantes do Arco Norte, reduzindo em até 30% os custos logísticos e até 1 mês o tempo de viagem para a Ásia em comparação com portos do Sul/Sudeste.

Existem grandes oportunidades aparecendo, mas há gargalos a serem vencidos.

  • Logística interna – a produção vem principalmente de áreas remotas (como Bailique, Mazagão), com estradas ruins e dependência de transporte fluvial;

  • Alta perecibilidade do fruto – exige uma logística para cargas refrigeradas em grande escala – grandes volumes;

  • Infraestrutura – necessidade de investimento em estradas, e integral fluvial.

Este acordo representa um marco histórico para a economia do açaí amazônico e para o desenvolvimento sustentável do Amapá. O contrato projeta o Brasil no mapa internacional e abre novas perspectivas de renda e valorização para os produtores extrativistas da região. No entanto, o sucesso dessa iniciativa dependerá da capacidade de superar os desafios logísticos e estruturais ainda existentes.

Agora é aguardar os próximos passos.

Referências:




 
 
 

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