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A China em busca de um novo equilíbrio: Desafios e Oportunidades para 2024

Atualizado: 23 de fev.


O que esperar em 2024. A meta de crescimento do PIB para 2024 está estimada entre 4,5% e 5,5%, para a maioria dos especialistas e os consultores do governo estimando uma meta de 5%. Isso representaria uma ligeira desaceleração em relação à meta de 2023, mas ainda seria um crescimento significativo em comparação com a maioria dos outros países.

Embora o detalhamento das metas só seja conhecido após a Assembleia Nacional Popular que ocorrerá em março do presente ano, todas as regiões a nível provincial estabeleceram suas metas de crescimento para 2024 em relatórios de trabalho entregues nos congressos populares. As suas metas de crescimento do PIB para 2024 variam entre 4,5% e 8%, com a maioria esperando expandir a sua economia em mais de 5%.

Os governos provinciais estão de olho em novos motores econômicos que vão da AI (Artificial Intelligence) aos novos veículos elétricos (EV sigla em inglês) com um foco contínuo no consumo, principalmente interno, conforme indicado pelos seus planos de desenvolvimento para 2024.

Os documentos provinciais revelam vários objetivos comuns com menções frequentes de "novas forças produtivas", "impulsionar o consumo" e "melhorar o ambiente de negócios".

Apontam para uma transição contínua rumo a um crescimento econômico de alta qualidade e para uma maior dependência do mercado interno, à medida que a China muda o seu foco da recuperação pós pandemia para uma expansão sustentada.


NOVAS FORÇAS PRODUTIVAS.


O conceito refere-se a uma nova forma de forças produtivas derivadas de avanços e inovações científicas e tecnológicas contínuas que impulsionam indústrias emergentes estratégicas e indústrias futuras numa era de informação mais inteligente.

A Conferência Central de Trabalho Econômico, realizada no final de 2023 para traçar o desenvolvimento econômico em 2024, disse que a China irá "promover a inovação industrial através da inovação tecnológica... para promover novas indústrias, novos modelos e motores de crescimento, e desenvolver novas forças produtivas".

Os relatórios de trabalho dos governos locais delinearam as áreas específicas onde as novas forças produtivas deverão ser ancoradas.

Alguns exemplos:

  • A província de Guangdong, uma potência econômica no sul da China, pretende impulsionar novas forças produtivas em indústrias, incluindo circuitos integrados, novo armazenamento de energia e voos espaciais comerciais. Também planeja promover indústrias futuras, como a tecnologia 6G e robôs humanoides.

  • A província de Liaoning, uma antiga base industrial no nordeste da China, pretende promover o desenvolvimento agrupado e integrado de novos materiais, biomedicina e outras indústrias emergentes.

  • Hainan, uma província insular que celebrou um crescimento econômico no ano passado, por meio da recuperação do turismo, lançou a sua visão em "novos caminhos", como a indústria de sementes e a indústria aeroespacial.

Segundo Pan Helin, pesquisador da Universidade de Zhejiang, disse que as novas forças produtivas se tornaram uma palavra da moda nas agendas dos governos locais, à medida que a China adota um modelo de crescimento que valoriza a qualidade em detrimento da quantidade.


CONSUMO.


Quase todos os relatórios de trabalho do governo local destacaram a tarefa de aumentar os gastos em 2024, uma vez que a Conferência Central de Trabalho Econômico se comprometeu a concentrar-se na "expansão da procura interna" durante dois anos consecutivos.

O consumo foi um motor de crescimento significativo na China no ano passado. O consumo final contribuiu com 82,5% para o crescimento do PIB do país em 2023, um aumento de 43,1% em relação a 2022.

O consumo digital, o consumo relacionado com a saúde, a vida noturna e os novos veículos elétricos são frequentemente mencionados nas metas dos governos locais para o próximo ano.

Municípios como Pequim e Xangai afirmaram que avançarão com a construção de cidades centros de consumo internacional, enquanto províncias como Sichuan e Hunan também propuseram transformar as suas respectivas capitais em centros de consumo global.

Dong Yu, vice-presidente executivo do Instituto Chinês para o Planejamento do Desenvolvimento da Universidade de Tsinghua, disse que os governos locais passaram a dar prioridade a novos mercados de consumo que possam impulsionar a indústria e o investimento, em vez de cupões de compras e promoções.

“Eles também estão trabalhando para atender às demandas dos jovens, o que, por sua vez, promoverá novos consumos”, disse Dong. "Este mercado em rápida atualização proporciona agora um campo de testes ideal para as empresas multinacionais melhorarem a sua competitividade global."

Outros objetivos comuns incluem o aumento do investimento no setor dos meios de subsistência e do bem-estar, desde uma política que prioriza o emprego até à melhoria dos serviços de acolhimento à crianças.

"Isto está em linha com o esforço da China para promover a prosperidade comum para todos, enquanto uma melhor segurança social também estimulará o consumo, dissipando as preocupações dos consumidores", disse Pan.


MERCADO.


O segundo maior mercado de ações do mundo começou 2024 com o indicador MSCI China caindo mais de 4%. Ele coroou um terceiro declínio anual consecutivo em 2023.

Os indicadores das ações do consumidor tiveram o pior desempenho no índice MSCI China desde o final de setembro, mesmo com as medidas imobiliárias. O valor de mercado agregado das empresas incluídas nos dois índices de consumo caiu cerca de US$ 157 milhões desde então. E os maiores entraves ao benchmark MSCI neste período incluem o gigante do eletrônico Alibaba Group o operador de restaurantes Yum China e o fabricante de veículos elétricos BYD Co.

“O quadro geral é que a fraca procura está conduzindo a um ambiente deflacionário, o que é particularmente mau para as empresas que não conseguem atingir volumes mais elevados com preços mais baixos”, disse Daisy Li, gestora de fundos da EFG Asset Management HK Ltd.

Muitos observadores da economia e do mercado esperam cortes nas taxas de juro e nos gastos do governo para ajudar a evitar que o país entre numa espiral deflacionária.

Segundo analista do Citi “Acreditamos que a estabilização imobiliária, seja uma saída clara da deflação, uma melhor execução política e de comunicação seriam necessários para a recuperação da confiança.”

A recuperação do mercado imobiliário em 2024 dependerá de vários fatores, incluindo:

  • A saúde da economia chinesa: Se a economia chinesa continuar a crescer, isso ajudará a estimular a demanda por imóveis.

  • As políticas do governo: O governo chinês precisará continuar a implementar políticas de apoio ao mercado imobiliário.

  • A confiança dos consumidores: O governo chinês precisará restaurar a confiança dos consumidores no mercado imobiliário.

Um bom teste para medir a confiança da população no governo é observar os preços e as vendas que ocorreram nas festividades do Ano Novo chinês, que se inicia no dia 10 de fevereiro. Além disto as próximas semanas também poderão ser fundamentais para a ação política, uma vez que os líderes chineses irão, em março, participar da Assembleia Popular Nacional. Nessa sessão legislativa anual, espera-se que o governo anuncie a sua meta oficial de crescimento para 2024.

Agora é esperar para ver.


 

Referências:





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