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Investimentos Chineses no Brasil: Greenfield em Foco

Atualizado: 9 de abr.


Em 2022, os investimentos chineses no Brasil recuaram 78% em relação a 2021, chegaram a US$ 1,3 bi­lhão - o menor valor registrado desde 2009. Porém, o número de projetos chegou a 32, com aumento de 14% em relação a 2021, dados do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC).

Isto não representa um desinteresse do governo chinês no Brasil. Segundo Tulio Cariello, diretor de conteúdo e pesquisa do CEBC, “A queda tem mais a ver com a natureza dos projetos naquele momento do que com falta de interesse ou cenário macroeconômico menos favorável.”

Isto quer dizer que o investimento inicial, como aquisição de uma fábrica, em anos anteriores, exigiu mais recursos e que no momento a manutenção do ativo exige menos recursos.

Vale lembrar que o Brasil continua se colocando como um parceiro confiável e com muitas oportunidades, considerando as possibilidades de mercado, produtor e consumidor. Não à toa, o Brasil foi o quarto maior receptor de investimentos chineses no mundo no período de 2005 a 2022. Apesar disso, a China vem, ao longo dos últimos anos, adotando uma postura mais caute­losa e seletiva em relação aos investimentos externos por diversas razões. A priorização da agenda doméstica e o ambiente geopolítico global mais austero levam o país asiático a ajustar suas estratégias.

Mesmo assim, o investimento chinês tem interesse em áreas como infraestrutura que enfrenta carências estruturais, como também no segmento de Tecnologia da Informação tendo em vista a explosão no número de aportes iniciada em 2021 e a expansão de domicílios brasileiros com acesso à internet, que chegou a 90% em 2021. O setor de eletricidade com projetos no setor hidroelétrico e no segmento solar.

Várias são as iniciativas chinesas em território brasileiro que começaram em 2007. Neste artigo vamos destacar os investimentos chineses ingressados como iniciativas greenfield. No artigo “Investimento da China no Brasil” abordamos os setores da economia brasileira que receberam os maiores investimentos chineses.

Um projeto greenfield refere-se a um empreendimento que está sendo concebido e executado onde não existe atualmente uma organização empreendedora, ativo ou operação. Um greenfield site é um local onde não existe infraestrutura presente para suportar o projeto. Esse termo é utilizado para descrever uma área de terra onde nenhuma infraestrutura foi construída, porém existe um projeto para que seja feita uma obra no local.

Características dos Projetos Greenfield:

  • Grande porte e alta demanda de investimento: Exigem um planejamento e execução cuidadosos devido à sua natureza complexa.

  • Longa duração: Projetos greenfield geralmente se estendem por mais de um ano, exigindo um compromisso de longo prazo das empresas envolvidas.

  • Cadeia de fornecimento vasta e complexa: A construção e operação de um projeto greenfield envolve diversas empresas e fornecedores, criando um ambiente multidisciplinar.

Segundo relatório da CEBC, de 2007 a 2022, a maior parte dos projetos chineses no Brasil ingressou por meio de ini­ciativas greenfield, que responderam por 49% do total, seguidas pelas fusões e aquisições, com 42%, e as joint ventures, com 9%. Dos 113 empreendimentos greenfield, a maioria foi realizada no setor de eletricidade e na indústria manufatureira, que concentraram, res­pectivamente, 47% e 32% de todos os projetos que ingressaram no país.

Em termos de valor investido, as fusões e aquisições dominaram, com 67% do total. Dos US$ 48,2 bilhões investidos por essa modalidade, 41% foram destinados ao setor de ele­tricidade, seguido pela área de extração de petróleo, com 35%.

Gráfico 1 – Formas de investimentos chineses no Brasil 2007-2022.


Destaques:

  • A Usina Hidrelétrica de Belo Monte, localizada no Rio Xingu, Pará;

  • Ferrovia de Integração Oeste- Leste, ligando Porto de Ilhéus (BA) a Figueirópolis (TO);

  • Complexo Industrial de Suape, Pernambuco;

  • Parque Industrial China Brasil, Jacareí, São Paulo;

Essas são algumas das iniciativas realizadas em parceria com as empresas chinesas.

Somente em 2022 a maioria dos projetos que ingressaram no Brasil, com investimento chinês, foram por meio de iniciativas greenfield como construção de fábricas e expansão de negócios adquiridos em anos anteriores estão. Dos 19 projetos – 59% do total – temos o setor de eletricidade com 79% dos empreendimentos, seguido por fabricação de veículos automotores, com fatia de 11%, e agricultura e infraestrutura, ambos com par­ticipações individuais de 5%.

O recorde no número de pro­jetos em 2022 mostrou um renovado entusiasmo, incluindo a entrada de oito empresas chinesas recém-chegadas ao Brasil e aportes inéditos nas áreas têxtil e de fabricação de materiais para uso médico e odontológico, além de novos empreendimentos em Tecnolo­gia da Informação e veículos eletrificados.

O Brasil, além de ter recebido investimentos de empresas como BYD e Great Wall Motors nos últimos anos, também conta com reservas de lítio, mineral fundamental para a fabri­cação de módulos fotovoltaicos e baterias elétricas, do qual a demanda global – em que a China tem participação fundamental, sendo o maior mercado de veículos elétricos do mundo – deve aumentar 5,5 vezes entre 2020 e 2030.


 

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