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ONDE A CHINA ESTÁ INVESTINDO NO BRASIL.

Atualizado: 10 de ago. de 2023


Em 2021, com a gradual recuperação da atividade econômica após os impactos da pandemia, as empresas chinesas investiram US$ 5,9 bilhões no Brasil, valor 208% superior ao de 2020 e o maior desde 2017.

Estes valores foram destinados a 28 empreendimentos, assim distribuídos:


Fonte: CEBC

Pelo critério de número de projetos, o setor de eletricidade liderou os investimentos chineses no Brasil em 2021, com 13 empreendimentos, o equivalente a 46% do total.

O segmento de Tecnologia da Informação se destacou com 10 projetos e foi o setor que atraiu o segundo maior número de empreendimentos chineses, com participação de 36%.

No setor de eletricidade, a Shanghai Shemar Power Holdings arrematou, em leilão da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), um lote de transmissão de energia no Estado do Rio de Janeiro. O empreendimento terá 100 km de linhas de transmissão e 1,2 mil mega- -volt-amperes (MVA) de capacidade e atenderá as regiões de Niterói, Magé e São Gonçalo.

A State Grid fez aportes no país em 2021, que somaram R$ 18,7 milhões, com projetos em Minas Gerais, São Paulo, Ceará e Goiás. A CPFL, subsidiária da empresa, venceu o leilão de privatização da Companhia Estadual de Transmissão de Energia Elétrica (CEEE-T), do Rio Grande do Sul, ocorrido em julho de 2021. A China Three Gorges deu continuidade a seus investimentos no país e aportou R$ 321 milhões em quatro projetos nos Estados de São Paulo, Goiás, Mato Grosso do Sul e Santa Catarina. As iniciativas foram lideradas pelas subsidiárias Rio Paranapanema, Rio Verde, Rio Canoas e Rio Paraná, incluindo novos processos de modernização das usinas hidrelétricas de Ilha Solteira e Jupiá.



No segmento de Tecnologia da Informação, o grupo chinês Ant Financial, fintech do Alibaba, comprou 5% da Dotz, gestora de programas de fidelidade. A Tencent, o maior conglomerado chinês de tecnologia, participou em janeiro de 2021 de rodada de investimentos do Nubank, bem como de uma extensão em junho, que teve a presença de outras gigantes do setor, como GIC, Whale Rock, Invesco e Sands Capital. A Tencent já havia investido US 90 milhões no Nubank em 2018, sendo a primeira aposta da gigante chinesa no Brasil. Em agosto, junto com a Greenoaks Capital, a Tencent co-liderou um aporte de US$ 120 milhões na imobiliária digital QuintoAndar. No mesmo mês, participou de uma rodada de investimentos da fintech Cora, liderada pela Greenoaks. Em outubro, a Tencent fez um novo investimento minoritário na Omie, empresa nacional que fornece um sistema de gestão empresarial a pequenas e médias empresas. A gigante asiática encerrou o ano com um aporte na startup de transporte rodoviário Frete. com. Ainda no setor de Tecnologia da Informação, a chinesa MSA Capital fez três novos aportes no Brasil, incluindo uma participação na extensão de uma rodada de captação de investimentos do Nubank, na qual a Tencent esteve envolvida. A empresa de private equity e venture capital também esteve presente em uma rodada no valor de R$ 20 milhões promovida pela Cayena, que conecta negócios de alimentação a fornecedores. Em outubro, também na área de FoodTech, a MSA Capital participou de uma rodada de investimentos realizada pela Favo, que totalizou R$ 140 milhões. O aporte na startup, que atua na entrega de itens de supermercado por meio de revendedores parceiros, foi liderado pela Tiger Global.

Na área de petróleo, a Petrobras assinou, em junho de 2021, com a Pré-Sal Petróleo S.A. (PPSA) e as chinesas China National Oil and Gas Exploration and Development Company (CNODC) e China National Offshore Oil Corporation (CNOOC), o Acordo de Coparticipação de Búzios, no pré-sal da Bacia de Santos.

No setor automobilístico, a Great Wall Motors comprou a fábrica de automóveis da Mercedes-Benz em Iracemápolis, interior de São Paulo. O negócio incluiu o terreno de 1,2 milhão de metros quadrados e todos os prédios e equipamentos de produção. A empresa, que pretende fabricar carros elétricos e híbridos, planeja investir R$ 4 bilhões no Brasil até 2025, com projetos de pesquisa e desenvolvimento e aprimoramento da planta produtiva. A fábrica na cidade paulista também será responsável por suprir os demais mercados do Mercosul, além de outros países do continente americano.

No segmento de fabricação de materiais elétricos, a Yangtze Optical Fibre and Cable (YOFC) adquiriu 100% das ações da Belden Poliron, subsidiária da americana Belden Inc. no Brasil que atua na fabricação de cabos especiais usados em indústrias petroquímicas e químicas, instalações de petróleo offshore e outros sistemas de automação industrial e predial. Após a transação, a Poliron tornou-se uma subsidiária integral da YOFC.

Esta troca de experiência tem proporcionado intercâmbio de tecnologia e transferência para o Brasil de novas tecnologias.

Como exemplo, os responsáveis pelo projeto de Usina Hidrelétrica de Três Gargantas, maior usina do mundo, vieram aprender com os técnicos brasileiros responsáveis por Itaipu. Hoje, soluções utilizadas no sistema elétrico chinês, foram importadas para aplicação em novas linhas de transmissão e na modernização das antigas hidrelétricas do Brasil.

O Brasil tem despertado a atenção de investimentos estrangeiros. Dados publicados pela Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) em 2022 apontam que os investimentos estrangeiros no Brasil passaram de US 28 bilhões em 2020 para US 50 bilhões no ano seguinte, registrando um crescimento de 79%, com participação relevante de aportes nas áreas de agricultura, automotivos, eletrônicos, tecnologia da informação e finanças.

Na mesma linha, estudo de 2022 da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) mostrou que os aportes do mundo no Brasil subiram 89%, atingindo US 50 bilhões. Segundo a entidade, esse resultado colocou o país na quarta posição entre os maiores receptores de investimentos externos, atrás apenas de Estados Unidos, China e Canadá.

No contexto da desaceleração dos investimentos chineses no exterior, o Brasil foi importante para o gigante asiático em 2021. A base de dados China Global Investment Tracker - CGIT2 , administrada pelo American Enterprise Institute e a Heritage Foundation, revelou que o país foi o principal destino do capital chinês, com participação de 13,6%.


Fonte: CEBC

O reordenamento dos investimentos chineses no exterior, ocorreram devido às incertezas globais - pandemia, guerras e suas consequências sociais e econômicas - e as restrições à entrada de capital chinês nos Estados Unidos, Europa e Austrália. Esse movimento reflete ainda uma mudança de prioridades de Pequim, que facilitou a entrada de investimentos estrangeiros no país, ao mesmo tempo em que tornou mais rigorosa a aprovação de investimentos chineses no exterior. Agora é aguardar os próximos passos.

 

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