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Café brasileiro em nova rota: China abre as portas!

  • Lantau
  • há 3 minutos
  • 4 min de leitura
Sacas de café Franca - SP.        Fonte: Reuters.
Sacas de café Franca - SP. Fonte: Reuters.

O presidente dos EUA, Donald Trump, oficializou uma taxação de 50% sobre alguns produtos brasileiros, e o café infelizmente não foi incluído na lista de exceções. Essa decisão gerou um cenário de incerteza e preocupação, já que os Estados Unidos são o principal destino do café brasileiro, importando 3,3 milhões de sacas de café brasileiro no primeiro semestre deste ano, quase 23% do total das exportações brasileiras de café.

A decisão abalou a indústria cafeeira brasileira e está mobilizando os exportadores a buscar outros mercados.

Na mesma ocasião em que a tarifa dos EUA foi anunciada, a China habilitou 183 novas empresas brasileiras para exportar café para o país. Essa decisão é estratégica e foi bem recebida pelos produtores brasileiros, pois oferece uma rota alternativa em um momento de dificuldade.

Apesar de a China ocupar apenas o décimo lugar no ranking de importadores de café brasileiro, o mercado tem um enorme potencial de crescimento. O consumo per capita de café no país asiático ainda é baixo (16 xícaras por ano em 2024, contra uma média global de 240), mas está em franca expansão. A popularização de redes de café locais, como a Luckin Coffee, tem impulsionado a demanda e o interesse por grãos brasileiros.


Cafeteria Luckin Coffee.               Fonte: Ibrachina.
Cafeteria Luckin Coffee. Fonte: Ibrachina.

A medida da China, válida por cinco anos, deve aumentar os embarques de café brasileiro para um país cuja demanda está em constante crescimento.

Dados do setor mostram que cerca de 85% da produção brasileira de Arábica em 2025, a variedade mais exportada para os EUA, já foi colhida.

As autoridades brasileiras receberam com satisfação a notícia das 183 novas licenças, mas líderes do setor apontaram o volume como altamente incomum.

“Este não é um número normal”, disse Vinícius Estrela, diretor executivo da Associação Brasileira de Cafés Especiais.

“As autorizações geralmente acontecem em lotes de 20 ou 30 empresas. Conseguir 183 de uma só vez é um recorde”.

Ele disse que, embora o processo de negociação estivesse em andamento há meses, sua publicação durante o período pós-colheita ajudou os exportadores brasileiros.

“Chega no momento certo, quando o café está pronto e esperando para ser transportado”, disse ele.

Aumentar o número de exportadores, disse Estrela, dá a mais produtores acesso a compradores estrangeiros e rotas de transporte, facilitando o transporte ao reduzir os custos de frete para os exportadores. Ele alertou, no entanto, contra a superestimação da capacidade da China de importar a quantidade de café que antes era destinada aos EUA.

“Os Estados Unidos importam mais de 8 milhões de sacas de café por ano. A China não consome nem perto disso”, disse ele. Mesmo com projeções otimistas, ele estimou que o redirecionamento para o mercado chinês poderia atingir apenas algumas centenas de milhares de sacas.

“Ajuda, sim, mas não é um substituto”, disse ele, acrescentando que os compradores americanos provavelmente ainda dependerão do fornecimento brasileiro, apesar da tarifa.

Mas o mercado chinês, segundo Estrela, oferece mais do que apenas volume. Com o aumento da demanda por grãos de maior qualidade, o Brasil pode tentar construir uma reputação além do fornecimento a granel.

“Estamos trabalhando para garantir que o Brasil seja reconhecido não apenas pela quantidade, mas também pela qualidade”, disse ele.

“Fazer parte do plano de blend quinquenal da Luckin Coffee, com a origem brasileira reconhecida publicamente, nos proporciona algo raro na indústria do café: a visibilidade da marca junto ao consumidor.”

Essa estratégia ganhou força em novembro, quando a ApexBrasil, agência de promoção de exportações do país, assinou um acordo com a chinesa Luckin Coffee para o fornecimento de 240.000 toneladas de grãos brasileiros entre 2025 e 2029.

O contrato está avaliado em US$ 2,5 bilhões e segue um acordo anterior de US$ 500 milhões para 120.000 toneladas, assinado em meados de 2024.

Embora a China tradicionalmente privilegie o chá, o consumo de café tem crescido, principalmente entre os jovens profissionais urbanos.

O consumo per capita dobrou em cinco anos, de oito para 16 xícaras por ano, embora permaneça bem abaixo da média global de 240 xícaras e da média americana de mais de 400.

Em discurso na ocasião do acordo, o CEO da Luckin Coffee, Jinyi Guo, elogiou o café brasileiro e descreveu o acordo como o início de uma colaboração de longo prazo.

“Esta parceria é apenas o começo. No futuro, queremos expandir ainda mais”, disse ele. Jorge Viana, chefe da ApexBrasil, agência de promoção de exportações do país, chamou o acordo de um “marco para o setor cafeeiro brasileiro”.

Essa movimentação geopolítica e comercial impulsiona uma mudança de estratégia para os produtores brasileiros. O Brasil pode aproveitar a oportunidade para se posicionar na China como um fornecedor de café de alta qualidade, construindo uma reputação de marca além da commodity. Essa nova dinâmica de mercado, focada em valor agregado, pode beneficiar o setor cafeeiro brasileiro no longo prazo, tornando-o menos dependente de um único comprador e mais resiliente a futuras instabilidades comerciais.

Referências:




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