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XIAOMI, A NOVA GIGANTE DA TELEFONIA CHINESA, ENTRA NO MERCADO DE CARROS ELÉTRICOS

A Xiaomi, a empresa de eletrodomésticos, às vezes chamada de “Apple da China”, anunciou, por meio de seu CEO, planos de investir mais de US $ 10 bilhões ao longo de 10 anos em carros elétricos.


No topo da lista está a Tesla, que recentemente aumentou a produção com uma nova fábrica em Xangai. Logo atrás estão os fabricantes locais de EV (Electric Vehicle), incluindo BYD, NIO, XPeng e Li Auto. Atrás deles estão as montadoras tradicionais - General Motors, Toyota, Volkswagen e muitas outras - que estão acelerando seus planos elétricos.


Não se trata apenas das empresas automotivas: gigantes da Internet, como Baidu e Tencent, estão fazendo parceria com montadoras para integrar seus aplicativos de serviços móveis aos carros.


O gigante do comércio eletrônico da China Alibaba formou uma joint venture EV com a SAIC, enquanto o aplicativo Didi Chuxing fez parceria com a montadora BYD para fazer veículos elétricos projetados especificamente para seus serviços.


O CEO da Xaomi Léi Jūn 雷军, que planeja administrar a subsidiária, parece destemido: "Nós nos preparamos para fazer todos os esforços por pelo menos 10 anos", disse ele, chamando o novo plano de negócios de "a mais significativa decisão na história da empresa.”


A Xiaomi tem duas vantagens competitivas:


Em primeiro lugar, a Xiaomi está cheia de dinheiro: no final de 2020, a empresa tinha US$ 15 bilhões em dinheiro, o que significa que pode arcar com empreendimentos de alto risco e alta recompensa, especialmente em uma indústria prestes a se tornar um mercado de US$ 5 trilhões na próxima década. Outros fabricantes como a NIO, por outro lado, encerraram o terceiro trimestre do ano passado com apenas US$ 3,3 bilhões em caixa e precisam levantar mais para continuar operando.


Em segundo lugar, a Xiaomi já tem tecnologia EV. Lei Jun, foi um dos primeiros investidores nas empresas NIO e Xpeng. A Xiaomi tem acumulado um vasto reservatório de propriedade intelectual aplicável aos EVs há vários anos. Atualmente, a empresa possui 834 patentes relacionadas ao automóvel, desde comunicação sem fio e processamento de dados a sistemas de controle de direção e navegação - todos os recursos que compõem o elemento "inteligente" do "EV inteligente".


Um EV inteligente é “um dispositivo eletrônico movido por um sistema operacional que oferece uma experiência digital de mobilidade”, disse Bill Russo, CEO da Automobilidade em Xangai. “Isso é algo que a China está fazendo e têm realmente uma posição de liderança.” Uma invenção da Xiaomi, por exemplo, ajuda a detectar a fadiga do motorista, oferecendo avisos oportunos aos motoristas sonolentos. Outra invenção permite que os motoristas pré-aqueçam o carro antes de chegar ao veículo. O portfólio de patentes da Xiaomi oferece respostas para pontos críticos na experiência de dirigir, o que pode eventualmente se traduzir em uma vantagem competitiva.


Embora a Xiaomi possa parecer inexperiente em relação a outros fabricantes de EV chineses, pode ser exatamente o oposto: o fabricante do smartphone provavelmente está mais perto de como será o EV inteligente vencedor daqui a uma década. A arquitetura eletrônica avançada é muito mais difícil de emular do que o hardware. E em competências essenciais em software de eletrodomésticos e IoT, a Xiaomi está bem à frente da maioria dos fabricantes de EV. De acordo com a empresa de pesquisa de tecnologia PatSnap, o valor combinado das patentes relacionadas a EV da Xiaomi é estimado em US $ 100 milhões - isso é metade do valor do Tesla, mas mais de cinco vezes o valor do NIO.


Quando se trata de veículos elétricos, as velhas intuições extraídas da indústria automotiva movida a combustível não se aplicam mais. Os motores de combustão interna são mecanismos complexos que precisam ser integrados ao carro como um todo. Os veículos elétricos, ao contrário, são menos integrados, com empresas especializadas em peças específicas que podem ser usadas como módulos. Em outras palavras, gigantes da tecnologia como a Xiaomi podem simplesmente comprar suas baterias do fornecedor CATL da Tesla e seus motores elétricos do fornecedor XPT da NIO, sem a necessidade de investir em novos conhecimentos.


Finalmente, as barreiras à entrada estão se desgastando por outro motivo. Vários anos de apoio do governo chinês a “novos veículos de energia”, sem dúvida, informaram a decisão da Xiaomi. Mas, recentemente, o governo ficou ainda mais específico, com demandas para aumentar as estações de carregamento de EV, instalações de troca de bateria e sistemas de reciclagem de bateria. Amparada por políticas nacionais e grandes investidores institucionais, a infraestrutura para EVs facilitará muito a entrada de novos participantes na competição.


O provedor de dados S&P Global Platts estima que os "veículos com energia nova" representarão 20% do total das vendas de carros novos na China até 2025.


A entrada tardia de Xiaomi pode não ser uma desvantagem; pode ser o momento certo para o Mi-Car brilhar.

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