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YUAN nas transações entre Brasil-China: entenda as implicações.

Atualizado: 31 de jul. de 2023


Fonte: Mises Brasil

Após a muito antecipada visita do Presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva à China, uma das dezenas de acordos assinados entre os dois países, foi o da iniciativa para início do uso da moeda chinesa (Yuan) nas transações comerciais bilaterais, dando um by-pass no hegemônico dólar americano.

No meio de tanta fumaça, a equipe da Lantau traz no artigo de hoje um apanhado das informações mais importantes sobre esse novo acordo que gerou muito barulho no momento de sua assinatura.



Contexto

Segundo dados do FMI, o dólar é usado em 88% de todas as transações internacionais na atualidade e é considerado por muitos especialistas como a maior vantagem e arma dos Estados Unidos para manutenção da sua capacidade de influência no mundo.

Mais do que poderio militar e um arsenal nuclear, a hegemonia do dólar americano dá ao seu país de origem uma vantagem competitiva única: a capacidade de imprimir a moeda de uso global. Isso facilita a gestão de sua dívida externa bem como aumenta suas armas de negociação no cenário internacional, uma vez que pode excluir do sistema financeiro países ou organizações consideradas hostis aos interesses norte-americanos, como foi o caso da Rússia após o início da Guerra da Ucrânia em 2022, que teve uma série de seus maiores bancos excluídos do sistema.

Visando criar um contraponto à essa hegemonia dos Estados Unidos, a China criou em 2015 o CIPS (Cross-Border Interbank Payment System), baseado em Shanghai. A ideia é a adoção de um sistema alternativo ao SWIFT, usado hoje na grande maioria das transações internacionais.

Hoje, para um importador brasileiro comprar mercadorias da China (ou qualquer outro país) ele é obrigado a comprar dólares e depois repassá-los na moeda do fornecedor chinês, gerando uma série de custos financeiros, instabilidade com a variação cambial e trâmites burocráticos que devem ser cumpridos para realização da operação.

Portanto, a primeira conclusão é: essa não é uma necessidade nova do mercado e nem um assunto novo nas pautas diplomáticas, já estando na agenda internacional da China desde 2015.


Implicações

Uma possível adoção do Yuan chinês como moeda das transações entre Brasil e China traria algumas implicações para o importador:

  • As transações seriam feitas diretamente do Real para o Yuan, sem passar pelo Dólar;

  • Custos de transação devem diminuir;

  • Consequente redução dos preços finais dos produtos para o consumidor.

Em termos de setores, é provável que os setores que dominam a pauta comercial dos dois países atualmente sejam os mais beneficiados como: soja (e outras commodities), tecnologia, infraestrutura, óleo e gás.


Desafios e conclusões

Apesar das implicações aparentemente positivas da adoção desse novo sistema, mudanças dessa proporção não acontecem do dia para a noite e nenhuma mudança substancial deve ocorrer no curto e médio prazo. O acordo entra em vigor em julho de 2023 e o Bocom BBM foi eleita a primeira instituição no Brasil credenciada pelo CIPS para atuar nas transações financeiras.

Entretanto, é importante destacar que nesse início o sistema deve operar apenas com transações de alto valor, na casa dos bilhões de reais, o que limita o número de possíveis beneficiários da nova medida.

Outro desafio será na liquidez da moeda chinesa no Brasil e a ausência de um market maker, agente financeiro garantidor da liquidez da moeda que viabilizaria as transações, papel normalmente desempenhado pelo Banco Central. Embora o BC já esteja aumentando suas reservas em Yuan a alguns anos e a moeda chinesa já seja a segunda maior reserva internacional do Brasil, superando o Euro em 2022 com 5,37% do total, segundo dados do próprio Banco Central, o caminho ainda é longo para uma adoção em larga escala. A falta de liquidez gera falta de oferta de crédito e derivativos negociados em Yuan e um sentimento de incerteza por parte dos investidores que tendem a não aceitar esse tipo de risco, desacelerando a adoção em larga escala do Yuan nas transações.

No geral são boas iniciativas que tem o potencial de abrir muitas portas no longo prazo. O New Development Bank (NDB) por exemplo, publicou recentemente uma meta de realizar 30% dos seus empréstimos em moeda local até 2028, mas a necessidade de ampliação do debate ainda é grande para que empresas, bancos e investidores se alinhem na criação do arcabouço financeiro necessário para que a adoção de um sistema financeiro internacional não dependente única e exclusivamente do dólar seja criado, adotado e mantido.




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